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Novamente Geografando

Este blog organiza informação relacionada com Geografia... e pode ajudar alunos que às vezes andam por aí "desesperados"!

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Exercícios sobre políticas demográficas

Mäyjo, 20.10.14


Objetivo: Caracterizar as políticas demográficas.

 


Lê atentamente os textos seguintes:


T ex t o n º 1


AS POLÍTICAS DEMOGRÁFICAS
Os governos tendem a definir políticas demográficas sempre que o número de habitantes é inferior ou superior àquele que consideram mais
conveniente para a organização da vida sócio-económica dos respetivos países.
Desde há muito que diferentes concepções têm vindo a ser defendidas pelos vários teóricos. No entanto, de um modo geral, podem considerar-se
como divididas em dois grandes tipos.

 

Fonte: Geografia 9º, Énio Semedo

 


T e xt o n º 2


POLÍTICAS NATALISTAS
Surgiram, num passado recente, quando os governos pretenderam aumentar o número de habitantes para assim criarem tensões com os estados vizinhos .Tal foi o caso da Alemanha, da Itália e do Japão antes da II Grande Guerra.
Após o último conflito mundial a necessidade de reconstrução nacional levou países como a França a tomar medidas favoráveis ao aumento da natalidade.
Países como a Rússia e a Austrália estimulam fortes natalidades a fim de conseguirem a mão-de-obra necessária à colonização de vastas áreas do interior dos seus territórios.


Fonte: Geografia 9º, Énio Semedo

 


Texto nº 3


APLICAÇÃO DE POLÍTICAS NATALISTAS
Muitos países industrializados, principalmente da Europa, procuram resolver ou pelo menos, minimizar o problema da estagnação ou mesmo o retrocesso da população, com a consequente perda de vitalidade demográfica, perseguindo uma política natalista mediante a implementação de medidas de incentivo à natalidade.
Entre essas medidas contam-se a atribuição de compensações e prémios monetários a famílias numerosas, aumentos substanciais dos abonos de família, dilatação das férias de parto, acompanhamento eficaz e gratuito das mulheres durante a gravidez, concessão de maiores facilidades de crédito à habitação aos casais com dois ou mais filhos, criação de infantários públicos e creches, escolaridade gratuita, subsídios de material
escolar aos alunos, pelo menos durante o período de escolaridade obrigatória, etc.
Mas apesar de tais medidas de incentivo, os resultados têm sido pouco animadores, pelo que o quadro geral pouco se tem alterado. De resto, a maioria dos especialistas em demografia é de opinião que é muito difícil influir na altitude dos casais quanto ao ter (ou não
ter) filhos.


Fonte: Geografia 9, João Antunes

 


Texto nº 4


UM MUNDO ENVELHECIDO
O problema resultante do excesso populacional dos países em desenvolvimento não se coloca diretamente nos países do mundo desenvolvido.
Diferentes factores fazem com que os países industrializados, como os da Europa, América do Norte ou Japão, apresentem taxas de crescimento
muito baixas ou mesmo nulas, como os casos de Luxemburgo, Bélgica, Dinamarca ou Áustria.
No entanto, esta situação também cria problemas sociais e económicos específicos, especialmente em função de um progressivo envelhecimento da população.
Nestas sociedades a população idosa é muitas vezes considerada um "fardo" dispendioso, por não serem produtivos mas sim consumidores. Ao mesmo tempo uma diminuta percentagem da população jovem pode comprometer o futuro, relativamente ao esperado normal desenvolvimento.
Assim, muitos governos de países com taxas de crescimento muito baixas ou nulas, têm tomado decisões políticas na tentativa de alterar as tendências atuais.

 

Fonte: Geografia 9, Constância

 


T ext o n º 5


POLÍTICAS ANTINATALISTAS
Face ao crescimento constante das populações, alguns países tentaram limitar os nascimentos pondo em prática urna política de regulação, a fim de baixar a pressão humana e suprimir os entraves ao desenvolvimento económico. Hoje, as famílias são globalmente menos numerosas em grandes países como a China, a Índia, a Indonésia, o Brasil ou o México. Estas políticas enfrentam, contudo, aposições de ordem económica e religiosa.
Todas as religiões, e particularmente o Islamismo, glorificam a maternidade. Assim, em África as mulheres têm ainda, em média, 6 ou 7 filhos.

 

Fonte:Geografia 9º, Luísa Leite

 

 

T ex t o n º 6


POLÍTICAS ANTINATALISTAS
São postas em prática nos países onde se considera que o aumento da população pode contribuir para uma diminuição acentuada do nível de vida, ou mesmo pôr em causa a sobrevivência, pelo menos, de parte da população.
As políticas antinatalistas têm a sua base teórica na obra do pastor protestante Thomas R. Malthus, Essay on the Principie of Population as it affects the future improvement of Society, publicada em 1798.
Malthus defendia o princípio de que a população cresce em progressão geométrica enquanto que os recursos crescem em progressão aritmética. Daqui concluía que o menor crescimento dos recursos daria origem a fomes, epidemias e até guerras, isto é, aumento da mortalidade seria inevitável.


Fonte: Geografia 9º, Énio Semedo

 


Texto nº 7


CONTROLAR UMA DEMOGRAFIA GALOPANTE
Apesar do ligeiro decréscimo no ritmo do aumento demográfico destes últimos anos, existem ainda países que enfrentam sérios problemas visto ser difícil obter o desenvolvimento quando as carências alimentares das populações em excesso não estão garantidas.
Daí, que muitos governos de países em desenvolvimento com excesso populacional e com taxas de natalidade elevadas tentem impor certas decisões políticas, com o objetivo de reduzir o número médio de nascimentos. Dentro destas políticas demográficas antinatalistas destacam-se diferentes tipos de decisões, que podem ter maior ou menor aceitação por parte das populações, tais como:

  •  Subsídios dados a casais com um só filho;
  • Agravamento de impostos ou anulação de regalias sociais a casais com muitos filhos;
  • Campanhas para que os casamentos sejam tardios;
  • Divulgação generalizada de processos do planeamento familiar;
  • Distribuição gratuita de contraceptivos;
  • Legalização da interrupção voluntária da gravidez;
  • Incentivos para a generalização da esterilização feminina e masculina, em casais que tenham já um ou dois filhos;
  • Processos de racionamento alimentar que prejudicam as famílias numerosas.

Fonte: Geografia 9, Constância

 


T ext o n º 8


Todos os países em desenvolvimento cujos governos implementam polí ticas antinatalistas sofrem alterações no campo social e económico. No
campo social, o alargamento da escolaridade, a alteração do estatuto e do papel da mulher e a oferta de empregos aos jovens permitem o crescimento económico, a que se segue a diminuição da fecundidade.

 

 

Texto nº 9


POLÍTICAS ANTINATALISTAS: TRAVAR A NATALIDADE
Muitos países em vias de desenvolvimento desenvolveram políticas antinatalistas como forma de retardar o crescimento demográfico e de permitir um crescimento económico mais acelerado. Governos africanos e asiáticos levaram a cabo campanhas gigantescas no sentido de diminuir as famílias, quer através da publicidade, quer através da divulgação de práticas de contraceção ou, mesmo, de esterilização das populações masculina e feminina.


Fonte: Geografia 90, Luisa Ucha dos Santos

 

 


1 – Com base no texto nº 1, deverás ser capaz de:

 

1.1 - Definir política demográfica.
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2 – Analisando os textos nº 2 e nº 4, deverás ser capaz de:

 

2.1 – Definir política natalista.
_________________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________________

 

2.2 – Dar exemplos de alguns países onde se aplicam políticas natalistas.
_________________________________________________________________________________________

 

 

3 – A análise do texto nº 3 permitir-te-á:

 

3.1 – Referir o objetivo das políticas natalistas.
_________________________________________________________________________________________

 

3.2 – Enumerar medidas que visam promover a natalidade.
_________________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________________

 

 

4 – Com base no texto nº 4, deverás ser capaz de:

 

4.1 – Justificar as políticas natalistas nos países desenvolvidos.
_________________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________________________

 

 

5 – Com base na análise dos textos nº 5 e nº 9, deverás ser capaz de:

 

5.1 – Dar a noção de política anti natalista.
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5.2 – Referir países onde se implementem políticas anti natalistas.
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5.3 – Referir oposições que estas políticas enfrentam.
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6 – O texto nº 6, depois de lido, permite que sejas capaz de:

 

6.1 – Justificar as políticas anti natalistas nos países em vias de desenvolvimento.
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7 – Com base no texto nº 7, deverás ser capaz de:

 

7.1 – Enumerar medidas que visam diminuir a natalidade.
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8 – A leitura do texto nº 8 vai permitir que sejas capaz de:

 

8.1 – Indicar algumas alterações sofridas no campo social e económico, depois de aplicadas medidas anti natalistas, nos países em vias de desenvolvimento.
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Dinamarca lança campanha de incentivo à natalidade

Mäyjo, 03.04.14

A Dinamarca lançou uma campanha de incentivo à natalidade. A ideia é que os cidadãos concebam durante as férias, que serão pagas pelo Governo. Estão ainda garantidas fraldas para o bebé durante três anos e é também oferecido um carrinho no valor de 1300 euros.

Uma agência de turismo da Dinamarca criou um anúncio com uma proposta ousada: encorajar os clientes a viajarem para salvar o futuro do país. O raciocínio é que, como a libido dos casais costuma aumentar durante as viagens, eles fariam mais sexo e com isso poderiam ajudar a melhorar a taxa de natalidade do país, que já é a mais baixa em 27 anos.

 

Segundo o bem-humorado vídeo “Do it for Denmark” (faça aquilo pela Dinamarca), divulgado pela agência Spies Travel, 46% dos casais fazem mais sexo quando estão em uma viagem de férias – e 10% das crianças dinamarquesas são concebidas fora do país.

 

“Viajar e viver novas experiências afeta as relações porque os casais veem um ao outro sob uma nova luz. Libera endorfinas no cérebro e cria desejo pelo sexo”, diz uma especialista no vídeo.

 

A agência criou pacotes com “desconto de ovulação” e promete mais: quem provar que engravidou durante uma dessas viagens ganhará fraldas e outros produtos infantis para três anos, além de uma viagem incluindo o novo membro da família.

China: suavização da lei do filho único vai impactar o ambiente e recursos naturais?

Mäyjo, 10.02.14

China: suavização da lei do filho único vai impactar o ambiente e recursos naturais?

 

O Governo chinês vai aliviar a política de natalidade vigente no país, que, até agora, permitia apenas um filho por casal. O Executivo contemplava uma excepção, e apenas para os casais em que os dois membros são filhos únicos, que estavam autorizados a ter dois filhos. A nova política de planeamento familiar vai agora permitir aos casais, em que um dos cônjuges seja filho único, a possibilidade de terem até dois filhos.

Apesar de ser um avanço nas restrições da China sobre os seus cidadãos, as autoridades continuam a defender a utilidade da “política do filho único”, invocando argumentos com mais de 30 anos a seu favor. O argumento chave que o Governo continua a invocar para a restrição da natalidade no país é que sem esta norma, a China não teria recursos suficientes para se desenvolver ao ritmo dos últimos anos.

Se não fosse a “política do filho único” a China teria mais 400 milhões de pessoas e “os recursos per capita, incluindo solo arável, sementes, florestas, água potável e energia seriam 20% menos do que os níveis actuais”, revelou o porta-voz do Ministério da Saúde chinês, Mao Qun’na, no final da reunião plenária do comité central do Partido Comunista Chinês, refere oQuartz.

Os números do Ministério da Saúde são questionáveis. A maioria dos académicos contesta o facto de o Governo chinês afirmar que tal medida preveniu o nascimento de 400 milhões de crianças. No entanto, a afirmação de Mao Qun’an reitera o conflito de necessidade da China por recursos naturais e humanos.

Mesmo que a “política do filho único” fosse abolida, o que levaria ao nascimento de mais 9,5 milhões de crianças, revela o Quartz, estas crianças não cresceriam a um ritmo suficiente para substituir a força laboral do país ou para cuidar da população idosa, que aumenta cada vez mais. Mas a abolição desta lei significaria, por outro lado, que mais 9,5 milhões de pessoas necessitariam de alimentação, água e um lar habitável.

Uma quantidade de factos tornaria difícil o aumento da população. Actualmente, a quantidade de solo arável per capita é metade da média mundial. A poluição, erosão e transformação das áreas rurais em cidades, parte do plano de urbanização da China, significa que 40% do solo arável é considerado “degradado”, segundo os padrões das Nações Unidas, sendo, por isso, mais desfavorável, em termos económicos, para cultivar.

A par disto, a China tem falta de água potável e de produção de energia, uma vez que tem consumido intensamente as reservas de água subterrâneas, especialmente no norte do país. Actualmente, a China concentra cerca de 20% da população mundial, mas possui apenas 7% dos recursos de água potável do planeta. Neste sentido, o Governo alertou já que a procura de água pode ultrapassar a oferta em 2030.

O Governo deixou claro, no entanto, que a intenção é apenas suavizar a “política do filho único”. Dadas as condições de terreno disponível para cultivo e os recursos hídricos disponíveis da China, assim como a intenção governamental de manter os níveis de crescimento económico dos últimos anos, uma suavização desta lei é o máximo que se pode esperar do Governo chinês.

 

Foto:  Joan Vila / Creative Commons



in: Green Savers

Incumprimento da política do filho único já rendeu €2,3 mil milhões à China este ano

Mäyjo, 12.01.14

Incumprimento da política do filho único já rendeu €2,3 mil milhões à China este ano

 

Desde o início do ano, o Governo chinês já arrecadou cerca de €2,3 mil milhões em taxas de apoio social, como são oficialmente denominadas. Estas taxas são, na verdade, multas aplicadas aos casais que não cumprem a política do filho único.

Em Pequim, por exemplo, estas multas ascendiam, em média, a €29 mil por cada filho a mais, de acordo com o China Economic Weekly, embora as multas possam atingir o valor máximo de €130 mil.

No último ano, o Governo chinês arrecadou perto de €2,2 mil milhões em multas. A maior percentagem deste valor – cerca de €1,9 mil milhões – veio de 17 das 31 províncias da China, segundo uma investigação conduzida por Wu Youshui, um advogado. Porém, existem três províncias que se destacam: Jiangxi, com €405 milhões, Sichuan, com €290 milhões e Guangdong, com €176 milhões.

O valor das multas, de acordo com o estipulado pelo Governo central, deve ser utilizado na melhoria dos serviços sociais, já que um maior número de pessoas requer mais dos serviços sociais, em teoria. Porém, as auditorias realizadas por Wu revelam que não é isso que está a acontecer.

“Nem uma província pode fornecer informação acerca do uso e auditar as multas”, indica Wu, citado pelo Quartz. Numa investigação anterior, o advogado chinês descobriu que a maior parte das multas cobradas vão para os bolsos das autoridades locais de cada província.

Recentemente, recorde-se, a China suavizou a política de natalidade vigente no país, que permitia apenas um filho por casal, com excepção para os casais em que os dois membros são filhos únicos, que estavam autorizados a ter dois filhos. A nova política de planeamento familiar vai agora permitir aos casais, em que um dos cônjuges seja filho único, a possibilidade de terem até dois filhos.

 

Foto:  jadis1958 / Creative Commons

Explosão demográfica, um risco mundial?

Mäyjo, 09.11.11

O RISCO DE SUPERPOPULAÇÃO MUNDIAL PERMANECE REAL

 

O fantasma da “bomba demográfica” volta a pairar sobre o planeta? Um estudo do Conselho Económico e Social da ONU, publicado no início de fevereiro, faz um alerta claro: sem um esforço considerável para baixar o número de nascimentos, o cenário otimista de uma população mundial culminando em 9 bilhões de indivíduos por volta de 2050, para em seguida declinar, poderá ser ilusório. Essa hipótese reconfortante, que corresponde a um cenário “médio” de crescimento da população segundo a ONU, foi amplamente imposta nestes últimos anos, acalmando os temores de um planeta sufocado pela superpopulação. A ponto de nos fazer esquecer de que ela não se realizaria sozinha, teme a ONU.

“A redução contínua da fecundidade nos países em desenvolvimento é considerada como certa, muitos responsáveis pelas diretrizes políticas estão convencidos de que a demografia não é mais um tema de preocupação”, observa o demógrafo Thomas Buettner, da divisão da população da ONU. “No entanto, a
população mundial poderá se revelar bem mais numerosa que o previsto”. O menor relaxamento na diminuição da taxa de fecundidade terá consequências explosivas, prevê a ONU nesse relatório. Bastará que a fecundidade permaneça 0,5 ponto acima do previsto no cenário médio até 2050 para que a população mundial atinja não mais 9 bilhões, mas sim 10,5 bilhões. Se, em seguida, essa fecundidade permanecer somente 0,25 ponto acima da hipótese média, o mundo terá 14 bilhões de indivíduos em 2100.

Destruição do meio ambiente, urbanização anárquica, alimentação, água… não faltam pesadelos associados a uma população como essa. “É perfeitamente possível alimentar 9 bilhões de homens. Passando disso, torna-se muito complicado”, acredita o demógrafo Henri Leridon, que está concluindo um estudo sobre esse tema para a Academia das Ciências.

Mas para Leridon, essas projeções a longuíssimo prazo têm um interesse limitado: “A mínima variação resulta ou em explosão, ou em extinção. Em vez de nos causar medo, a ONU deveria nos dizer, país por país, se estamos alinhados com a trajetória dos 9 bilhões”. Nesse ponto, o relatório da ONU dá pouco espaço para otimismo: “Mesmo nos países onde a fecundidade já declinou notavelmente, são necessárias reduções suplementares para evitar fortes aumentos de população a longo prazo”.

Má notícia: baixar a taxa de fecundidade até a taxa de substituição da população (2,1 filhos por mulher nos países desenvolvidos e 2,5 nos países onde a mortalidade é mais elevada) não bastará. Mesmo no caso – pouco plausível – em que cada país atingisse o nível de substituição até 2015 para em seguida ali se manter, a população mundial continuaria a subir até 9,1 bilhões em 2050 e depois até 9,9 bilhões em 2100. “O crescimento demográfico tem uma forte inércia: é como um navio-tanque que continua a avançar bem depois que seus
motores foram desligados”, explica Buettner.

Segundo a ONU, para garantir um nível sustentável de população, todos os países devem, o mais rápido possível, baixar para uma taxa de fecundidade de 1,85 e ali se manter durante um século antes de retornar ao limiar da
substituição. Esse esquema corresponde mais ou menos à evolução seguida pelos países ocidentais. No entanto, ele parece bem ambicioso. “Nada garante que a melhoria do planeamento familiar nos países em desenvolvimento continuará; em alguns países, ela está em recuo”, lamenta Buettner. A taxa de fecundidade dos
países menos avançados permanece numa média de 4,29. Uma dezena de países, a maior parte na África, ainda não iniciaram sua transição demográfica. “A Ásia e a América Latina reduziram sua natalidade bem mais rápido do que os demógrafos pensavam”, lembra Gilles Pison, diretor de pesquisa do Instituto Nacional de Estudos Demográficos. Será que a África reserva a mesma surpresa? A questão é delicada, assombrada pelo temor do controle dos nascimentos. “Trata-se unicamente de oferecer uma livre escolha aos indivíduos”, explica Yves
Bergevin, coordenador para a saúde materna e reprodutiva no Fundo de População das Nações Unidas. “Ao oferecer o acesso a serviços de planeamento familiar, uma melhor educação e um reconhecimento dos direitos das mulheres, podemos atingir imensos progressos em apenas dez ou vinte anos”.

Estamos longe disso. Em quarenta países, quase um quarto das mulheres não conseguem satisfazer suas necessidades de planeamento familiar. Nos países menos avançados da África, o emprego de métodos modernos de contracepção atinge um máximo de 12%. “A oferta de contracepção é insuficiente, mal organizada, os
próprios dirigentes locais encarregados de aplicar esses programas nem sempre estão convencidos de sua validade”, constata Pison. Acima de tudo, faltam meios. Em dez anos, o auxílio para o planeamento familiar caiu pela metade nos países mais pobres. A ONU faz um apelo para que se retomem esses programas com urgência, com um último argumento, desta vez financeiro: ao evitar nascimentos, cada dólar investido no planeamento familiar acarretaria na economia de US$ 2  a US$ 6 em despesas com saúde, educação ou meio ambiente.

Grégoire Allix

Le Monde, 15 de fevereiro de 2011

(adaptado)